Brasília a Alcobaça e volta – o sul da Bahía é maravilhoso

Acabo de retornar de Alcobaça, foram dias de descanso e muita paz nessa pequena cidade no extremo-sul da Bahía. Povo amigável, praias tranquilas, muito peixe e comida saudável. É a terra da fartura de tudo o que vem do mar. Nesse aspecto quem mora por lá não tem do que reclamar.

Estradas

Para quem está de ida para o sul da Bahía, saindo de diversas partes do centro-oeste, de Brasília em diante a situação da BR-040 é boa, exceto alguns trechos que descrevo logo mais. Fiz o trajeto via Belo Horizonte, mas soube há pouco, por um amigo que voltou de lá há alguns dias, que por Montes Claros(pegando a BR-365 antes de Três Marias) a estrada está excelente também.

Pontos da BR-040 onde o motorista deve tomar cuidado especial incluem :

  • antes e depois de Paraopeba, asfalto ruím
  • entre o trevo com a BR-365 e Três Marias o trânsito de caminhões é intenso, asfalto ruím, buracos e obras

Rei do Peixe em Três Marias

Se você partir de Brasília cedo(entre 6 e 7 AM), passará por Três Marias perto da hora do almoço, por isso não deixe de provar o Surubim do Rei do Peixe embaixo da ponte. Na ida eu não parei, mas fiz questão de almoçar lá na volta. Sinceramente, não há peixe igual, é pescado todo dia de manhã no São Francisco e alguns dos garçons são os próprios pescadores. O Restaurante tem estrutura boa, banheiros excelentes, atendimento ótimo e um mirante na beira do Velho Chico – é uma ótima escolha de parada visto que é, inclusive, mais seguro que parar em postos da beira da estrada.

Antes de chegar a BH você encontrará a Oca do Milho. Recomendo a todos a pamonha deles, além dos outros salgados e doces vendidos lá. Se você não precisa abastecer é uma ótima escolha de parada. Tudo feito com muito bom gosto, uma pequena e aconchegante estrutura de madeira; bom atendimento, banheiros limpos e café feito na hora. Valeu a parada, gostamos muito e deixamos aí a recomendação a todos.

A estrada é duplicada logo adiante e o resto do trajeto até BH é excelente, há cobertura perfeita de celulares TIM e Oi, o meu Blackberry foi conectado à internet durante boa parte deste trecho com ótimo nível de sinal.

De BH em diante

A estrada de Belo Horizonte em diante está ótima. Há muito trânsito na saída da Capital, como já era de se esperar. Pegamos a BR-381 em direção a Governador Valadares, aquí também o asfalto está um “tapete”. A paisagem neste trecho em diante é de tirar o fôlego, mas não se preocupe, vem mais beleza pela frente.

170 KM de “Rodovia da Morte” (BR-116)

De Valadares até Teófilo Otoni a estrada é perigosa, é a famosa BR-116 (Rio-Bahía ou “Rodovia da Morte”), com acostamento mínimo ou inexistente, carretas em alta velocidade e muito trânsito, tome bastante cuidado por aquí. Fazendo este trecho pela manhã não tivemos qualquer contratempo, foi bastante tranquilo e não havía muito tráfego. Na volta fiz esta etapa pela noite e, aí sim, fúi em baixa velocidade e sempre alerta com os caminhões. Em determinado momento uma carreta na contramão arriscou a ultrapassagem sem me ver, entrou com velocidade e não tinha mais como frear. Eu vinha em baixa velocidade e freei o carro com metade dele para fora do asfalto, no mato que devorou o acostamento. Se eu viesse em alta velocidade não saberia dizer o resultado da peripécia de nosso amigo caminhoneiro.

De Teófilo Otoni em diante você está na reta final para o sul da Bahía. Aqui, novamente, se puder passe de dia para ver o espetáculo natural das rochas imensas, rios que acompanham a estrada, Serra dos Aymorés e muita mata virgem. Neste trecho, da BR-418 há uma parada bastante popular nas rochas do Kaladão. Pare por lá, nem que seja para tirar foto das enormes rochas. Parecem cascos de tartarugas gigantescas, é simplesmente inacreditável a beleza desta região. Dalí passamos por Carlos Chagas e Nanuque até chegar ao trevo com a BR-101. A divisa de Minas com Bahía é uma pequena ponte depois de Nanuque, logo ao cruzar a ponte o asfalto piora um pouco mas ainda está em boa condição e não há muito trânsito nesta região.

Novamente atenção redobrada na 101, o asfalto está ruím e, para dizer a verdade, este trecho do trevo até Teixeira de Freitas está muito pior e mais perigoso que a Rio-Bahia. Trânsito intenso, asfalto ruím e carretas em alta velocidade, aquí é ter paciência pois são apenas 46 km que provavelmente você irá em baixa velocidade e desviando de buracos. O Guia 4Rodas diz que este trecho está sendo duplicado, mas não ví obras no caminho, talvez estejam acontecendo mais acima do trecho onde passei. Em Teixeira, pega-se a BA-290 e, após 67 KM, estamos dentro de Alcobaça.

Alcobaça : Muito Descanso

Alcobaça é a paz que foi transformada em cidade. Sol intenso, porém uma brisa refrescante sopra o dia todo, se você achar uma sombra(em especial aquela atrás da Igreja Matriz), poderá tirar um bom cochilo. Tirando os outdoors promovendo o Show de Ivete Sangalo, nada alí me lembrava a grande cidade. Exceto uma torre de celular e uma caixa d’agua na “pracinha da cidade”, não há qualquer estrutura com mais de 2 andares.

A pesca é a principal fonte de renda da Cidade, todo o movimento financeiro de Alcobaça passa, de alguma maneira, pelo mar. Segundo nativos, boa parte é exportada para o resto do Brasil e do mundo. O camarão recém chegado do mar sai a R$ 6,00 o quilo, o camarão VG sai a R$ 30,00 o quilo. Um atum inteiro de alguns quilos pode ser comprado por R$ 20,00 saindo do barco. Aquí em Brasília nem sonhamos com preços assim.

Não fúi a Alcobaça buscando agitos e noites de festa, mas há bastante atividade sempre, luaus, pagode, bares e restaurantes. Não deixe de ir à praia na volta da noite. Não há movimento nas praias, nem iluminação, mas não tem perigo de assaltos. Vá com um grupo e curta um visual de tirar o fôlego. No horizonte o céu parece emendar no mar com o reflexo das águas; forma uma imensidão estrelada no azul. Foi um dos momentos mais inesquecíveis desta viagem.

Prado e Cumuruxatiba

Saímos pela manhã e fomos conhecer Cumuruxatiba. De Alcobaça, pegamos a BA-489 até Prado, são apenas 20km de estradas em ótima condição. Em Prado, seguimos ao norte até um pequeno cruzamento onde, numa pequena placa branca, lía-se “Cumuruxatiba”. Dalí em diante são cerca de 31 KM de terra, porém sem quaisquer dificuldades para o trânsito de um carro pequeno. Pouco tempo depois estávamos tomando uma cerveja gelada no topo de uma falésia. Para quem quer descer para nadar no mar azul, o garçom envia uma cerveja gelada por uma tiroleza alí instalada com esse fim! Foram 2 dias inesquecíveis com nosso amigo e conhecedor de Cumuru há quase 30 anos, Marcus Barroso. O tempo era curto e precisávamos voltar.

Para variar um pouco, o Marcus nos recomendou a voltar pela estrada de terra beirando o mar. E como valeu pena! Vistas maravilhosas e lugares simplesmente paradisíacos para parar um pouco e curtir o fim de tarde. Mais um momento inesquecível no sul da Bahía para trazermos de volta a Brasília.

Se você gosta de pescar não deixe de passar um dia(ou uma noite) na barra do rio Itanhém. Apenas com uma varinha sem molinete você se diverte por longas horas. Compre um pouco de “camarão maluco”(assim chamado pelos pescadores porque vem sem cabeça) no cais da cidade por um trocado e boa sorte! O mais cobiçado, claro, é o Robalo mas você pega de tudo na barra do Itanhém – se sua isca não for roubada por um siri! Espere a enchente de maré para o rio ficar mais tranquilo, perto da barra onde o rio afunda forma-se uma enorme lagoa, quase parada.

Volta

O nosso grupo se separou na volta e eu decidí pegar a estrada no Sábado depois do almoço. Nada muito planejado, afinal estava em clima de férias. Saí em direção a Teixeira de Freitas e decidí que dormiria em Governador Valadares. Assim teria, pela manhã, mais 1100 KM até Brasília, ou seja, um dia de viagem.

Quem quiser descansar, curtir muita natureza, paisagens e uma vida noturna bem moderada e tranquila, o sul da Bahía é o lugar certo pra ir. Alguns lugares ao sul de Porto Seguro(inclusive) já estão bem movimentados, mas Cumuruxatiba, Prado e Alcobaça ainda mantém a tranquilidade da pequena vila com alguns confortos da modernidade.

Algumas dicas rápidas:

  • Há acesso à Internet através de Lan House na praça principal, ou via celular
  • Não há horário de verão, nesta época atrase o relógio 1 hora no Nordeste
  • Voltagem 220V
  • Supermercado “Calçadão” e “Mercado Central” ambos aceitam cartões de crédito e débito
  • Sai pão fresquinho na Padaria Globo!
  • DDD 073
  • Quem nasce em Alcobaça é Alcobancense
  • Cobertura de celular satisfatória nas áreas urbanas em toda a cercania, exceto nas estradas da região
  • Bancos: Banco do Brasil e Caixa Econômica, ambos na “pracinha da caixa d’agua”
  • Itaú, HSBC, Bradesco e outros apenas em Teixeira de Freitas ou (segundo informações locais, não conferimos) em Itamaraju
 

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